Transtornos de ansiedade e Exercício Físico

A ansiedade pode ser descrita como uma resposta natural a uma situação reconhecida como ameaça, criando distúrbios ou transtornos crónicos e debilitantes que levam à mudança de diversos aspetos nas vidas dos indivíduos (1,2). Alguns dos sintomas poderão ser mais afetivos, como o medo e a apreensão, e outros mais fisiológicos, nomeadamente tremores e batimento cardíaco elevado. A frequência e gravidade dos sintomas pode ser bastante variável, bem como o que causa os sintomas pode ser mais geral ou específico, dependendo do distúrbio de ansiedade (3). Embora todos os indivíduos sofram de ansiedade em determinadas fases da sua vida, se ocorrer durante longos períodos de tempo poderá tornar-se grave, caso o indivíduo seja incapaz de distinguir uma ameaça real de uma ameaça imaginada. Posto isto, durante muitos anos a literatura fez por responder a tal problema, procurando formas de investigar profundamente a ansiedade e como isso pode ser suavizado, incluindo a realização de exercício físico (1).

A ansiedade representa, nos dias de hoje, um fator de risco para indivíduos com uma saúde debilitada, levando, possivelmente, a um aumento do risco de mortalidade e a um aumento de problemas também de saúde física, tal como doenças cardiovasculares (3).

O exercício físico regular é, com frequência, o primeiro passo para mudanças de hábitos, levando ao desenvolvimento de uma série de mudanças fisiológicas no ser humano. Por exemplo, ajuda na prevenção de doenças crónicas bem como na redução da sua prevalência caso a doença crónica já exista (2). Vários estudos indicam que a prática de exercício físico regular leva à redução da ansiedade, quer a nível de exercícios aeróbios, como também exercícios de relaxamento (1). Outros estudos referem, por exemplo, que os resultados positivos na redução da ansiedade se devem a diversas razões, tais como (2):

  • Distração, uma vez que os indivíduos se distraem das atividades do dia-dia;
  • Libertação de endorfinas, que levam a um estado de euforia e redução da dor;
  • Aumento de serotonina semelhante ao efeito de alguns antidepressivos.

Conclui-se, assim, que há fortes evidências que o exercício físico tem um impacto positivo no controlo da ansiedade, sendo também uma forma bastante útil, económica e acessível de o fazer (2,3).

Sandra Vicente Março 2020

Referências:

(1) Riahia, M., Haddada, M., Ouattasa, A., Goebela, R. 2015. The Moderating Effect of Physical Exercise in Anxiety Disorder: A review.

(2) Anderson, E., Shivakumar, G. 2013. Effects of exercise and physical activity on anxiety. Frontiers in psychiatry, 4, 27.

(3) Stonerock, G., Hoffman, B., Smith, P., Blumenthal, J. 2015. Exercise as Treatment for Anxiety: Systematic Review and Analysis. Annals of behavioral medicine: a publication of the Society of Behavioral Medicine, 49(4), 542–556.

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