Tenho uma hérnia discal! Devo continuar a treinar?

Se tens uma hérnia com certeza já te questionaste se deves ou não continuar a treinar. Sabemos que, após uma crise, temos receio de voltar a ter aquelas dores que nos obrigam a parar e muitas vezes adiamos a retoma à atividade física. Este artigo irá abordar este assunto e mostrar-te os efeitos do exercício físico nesta condição clínica.

Sabias que o exercício físico quando realizado adequadamente ajuda no alívio da sintomatologia e na prevenção de novas crises? Vamos te demonstrar como.

O disco intervertebral é uma “esponjinha” localizada entre as vértebras e desempenha um papel de grande importância na sustentação da coluna vertebral, e na absorção de impactos e distribuição de cargas.

A hérnia discal surge quando parte desse disco sai da sua posição normal comprimindo outras estruturas, originando sintomas como dor local que pode irradiar para os membros superiores, no caso da hérnia cervical e para os membros inferiores nos casos da hérnia lombar.

O exercício ajuda na diminuição da sintomatologia e contribui para uma coluna mais saudável evitando novas crises.

De que forma é que o exercício ajuda?

– Alivia a dor e ajuda na recuperação das amplitudes através do alongamento;

– Melhora a hidratação do disco: facilita o transporte dos nutrientes e a água aos discos;

– Reduz a inflamação: exercícios de ativação/ fortalecimento dos músculos vertebrais aumentam na difusão passiva de oxigénio e diminui a concentração de hidrogénio, levando a uma redução da dor nos processos patológicos mecânico-degenerativos da coluna;

– Promove um melhor suporte à coluna através de exercícios de fortalecimento do tronco;

– Reduz a carga na coluna através do fortalecimento dos membros superiores e inferiores;

– Ajuda na manutenção e na perda de peso e por isso menos sobrecarga para a coluna;

– Melhora a mobilidade intervertebral;

– Aumenta a estabilidade articular: Exercícios específicos ativam músculos que tendem a estar fracos nestas patologias (estabilizadores da coluna).

– Prepara a estrutura para que o risco de novas crises seja reduzido, e caso surjam, que essas crises sejam de menor intensidade e de recuperação mais rápida.

Cuidados a ter:

Dependendo da fase em que estás deverás pedir ajuda junto de profissionais qualificados na elaboração de um plano de treino adequado às tuas necessidades pois necessitarás de alguns cuidados. Este irá prescrever e acompanhar numa série de exercícios que ajudam a manter a estrutura estável e protegida evitando assim novas crises.

– Na Fase aguda deves evitar exercícios de impacto como saltos, corridas e uso de cargas. Realizar exercícios que visam promover mobilidade vertebral suave, alongamento muscular, e movimentar de forma geral do corpo;

– Na Fase crónica, onde já não há sintomatologia, deves realizar exercícios específicos de fortalecimento e estabilidade vertebral que ajudam a evitar novas crises;

– Durante os exercícios, é importante seres acompanhado de perto por um profissional especializado para manter uma postura correta e prevenir novas lesões;

– Respeita os limites do teu corpo e caso tenhas dor ou desconforto deves interromper os exercícios e procurar ajuda de um profissional especializado;

– Inclui alongamentos suaves ao teu plano de treino;

– Mantém a hidratação diária ingerindo líquidos ao longo do dia especialmente durante o exercício físico;

– Se tens uma profissão sedentária, levanta-te com frequência e anda um pouco evitando ficar sentado por muito tempo;

– Mantém-te ativo/a ao longo do dia realizando exercício físico pelo menos 3 vezes por semana.

Referencias bibliográficas:

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