Relação entre insónia, obesidade e atividade física

A diminuição do tempo de sono e a sua qualidade estão relacionados com um aumento do peso corporal. A insónia é um dos três distúrbios de sono mais prevalentes, vários estudos examinaram o impacto destes distúrbios na obesidade, permitindo perceber a relação entre distúrbios de sono e doenças crónicas.

A insónia pode ocorrer em situações de stress e os critérios de diagnóstico baseiam-se em sintomas relacionados com a perturbação do sono, tais como dificuldade em adormecer, dificuldade em ter um sono sem interrupções, acordar muito cedo ou até mesmo não conseguir descansar quando as condições em que dormimos parecem ser as ideais para o fazer.

Estudos feitos revelam que pessoas com obesidade têm maior disponibilidade a ter insónia crónica quando sujeitas a stress emocional. Por outro lado, a própria insónia pode desempenhar um papel no consumo excessivo de comida uma vez que a diminuição do tempo de sono pode levar ao aumento do apetite, nomeadamente o desejo de ingerir comidas com elevado teor de açucares e gordura, o que leva ao ganho de peso.

Neste quadro a atividade física pode vir a desempenhar um papel importante uma vez que está associado a uma melhor qualidade de sono, em contrapartida a inatividade física está associada ao aumento da probabilidade de se vir a desenvolver sintomas de insónia.

No que diz respeito ao exercício com insónia, um período de exercícios aeróbicos de intensidade moderada, aproximadamente três horas antes de dormir, demonstrou reduzir o tempo levado para adormecer e a ansiedade antes de adormecer, enquanto aumenta o tempo total de sono e a eficiência do sono naqueles diagnosticados com insónia. Exercícios de intensidade elevada não revelaram ter os mesmos benefícios.

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