O desporto e a autoestima

As condições de vida das populações nas sociedades atuais têm vindo a sofrer grandes mudanças num curto espaço de tempo. A generalização do trabalho sedentário, as alterações dos hábitos alimentares entre outras têm resultado em prejuízos evidentes ao nível da saúde. As preocupações com o aumento significativo de doenças provocadas por esta alteração de hábitos – doenças coronárias, cerebrovasculares, doenças crónicas – têm vindo a desenvolver-se dada a dimensão do fenómeno.

O desporto surge então como uma fuga ao quotidiano stressante, como uma solução a inúmero tipo de doenças, uma delas, das maiores do século XXI – depressão. E como um apoio a um bem-estar geral, trabalhando ao nível da prevenção da doença e manutenção do bem-estar físico e psicológico.

A Sociedade Internacional de Psicologia do Desporto (ISSP, 1992), salienta que o exercício físico acarreta benefícios ao nível psicológico, parecendo estar correlacionado de forma positiva com a auto-imagem, sensações de bem-estar; auto-confiança, mudanças positivas no humor, no stress, depressão, ansiedade, vigília, clareza de pensamento, aumentos de energia, entre outros (Everly & Rosenfeld, 1981; Martin & Dubbert, 1982; Weinstein & Meyers, 1983; Tomporowski & Ellis, 1986; Tucker, 1983; cits. por Ribeiro, 1988; Doan & Sherman, 1987 cit. por McAuley, 1994; Hamachek, 1986; Blackman, Hunter, Hilyer & Harrison, 1988; Valliant & Asu, 1985).

James (1890, cit. em Bednar et al., 1989) definiu auto-estima como o resultado da relação entre os objectivos individuais concretizados e os objectivos individuais pretendidos, seja no domínio material, social ou emocional e através de uma fórmula: auto-estima = sucesso/pretensões. Ou seja, o indivíduo que se percecione como competente nos domínios onde aspira ser bem-sucedido, terá uma auto-estima alta. Pelo contrário, se não for bem-sucedido nos domínios onde aspira ser competente, a auto-estima será baixa.

Movimentar o corpo aumenta a autoestima, sendo as atividades físicas um recurso importante para manter o equilíbrio emocional.

Praticar exercício, por si só, é excelente para a saúde do organismo, mas os ganhos de quem deixa o sedentarismo são maiores ainda e geram impactos não só na estética, mas no bem-estar geral.

A dificuldade em se relacionar com outras pessoas, pode ser “combatida” com atividades que envolvam uma equipa/um grupo… A falta de confiança em si mesmo diminui com a prática de desportos que exijam/envolvam desafios.

Os problemas de imagem, como sentir-se com peso a mais, podem ser ultrapassados com exercícios que queimem mais calorias.

Os idosos que começam a perder a coordenação motora e a dar sinais de patologias do foro mental, estando dependentes de químicos para retardar o processo de perda de autonomia, também beneficiam e muito da prática de exercício físico, sendo recomendado que o façam desde muito cedo por forma a retardar a doença e a dependência de terceiros.

Para manter o corpo em forma, a mente mais saudável e “esperta”, esta faixa etária deve realizar exercícios aeróbicos (bicicleta, correr, nadar, caminhar ou dançar) e assim aumentar a sua esperança média de vida com mais qualidade.

A saúde melhora e os benefícios expandem-se ao resto do corpo. Ao praticar exercício físico o afluxo de sangue no cérebro aumenta, melhorando os níveis de substâncias responsáveis pelas sensações de bem-estar, e a capacidade de lidar com os problemas fica melhor.

Além dos fatores químicos do cérebro, como o aumento dos níveis de serotonina (neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar e outras) e o aumento do aporte de sangue, praticar exercício físico com regularidade pode ajudar, e até mesmo eliminar, alguns problemas que podem diminuir a tua autoestima, como a falta de segurança, a dificuldade de lidar com as relações pessoais, depressão, etc…

Praticar exercício, por si só, é excelente para a saúde do organismo, mas os ganhos de quem deixa o sedentarismo são maiores ainda e geram impactos não só na estética, mas no bem-estar geral.

BIBLIOGRAFIA

  • BEDNAR, R., WELLS, M. & PETERSON, S. (1989). Self-esteem: paradoxes and innovations in clinical theory and practice. AmericanPsychological Association, Washington D.C. BERGER, B. G. & MCINMAN, A. (1993). Exercise and the quality of life. In R. SINGER; M. MURPHEY & L. TENNANT (1993). Handbook of Reasearch on Sport Psychology (ISSP). New York: MacMillan Publishing Company
  • https://reorganiza.pt/beneficios-desporto/
  • International Society of Sport Psychology. (1992). Physical activity and psychological benefits: a position statement. The Sport Psychologist, 6, 199-203.
  • MCAULEY, E. (1994). Physical activity and psychological outcomes. In C. Bouchard, R. Shephard & T. Stephens (eds.). Physical activity, fitness and health, chapter 37, 551-558. Champaign, IL: Human Kinetics.
  • RIBEIRO, J. L. (1988). Efeitos psicológicos da actividade física. Jornal de Psicologia, 7, 5, 10-14.

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