Lesões na corrida

É notório, ainda mais nos dias de hoje, que a prática de exercício físico passou a fazer parte do quotidiano de uma grande parte da população. Alguns iniciaram esta prática para ocupar os seus tempos livres, outros tentam, de várias formas, manter a sua prática regular.

Atualmente, fazemos exercício por variadíssimas razões: para perder peso ou ganhar peso, para melhorarmos a aparência como coadjuvante terapêutico, para relaxarmos da azáfama do dia a dia ou apenas por prazer e fruição (JOSÉ SOARES;RUNNING – muito mais do que correr, 2015). Devido a tudo isto, a corrida começou a fazer parte da vida de milhares de portugueses. Muitos iniciam esta prática motivados pela adoção de um estilo de vida mais saudável, por acharem que é de ‘’fácil execução’’, baixo custo e neste momento específico da história, é dos poucos exercícios possíveis de fazer ao ar livre no estado atual do país. Todavia, raramente alguém pondera as condicionantes de iniciar esta prática.  A maioria das pessoas começa a correr antes de efetuar uma avaliação específica por parte de um profissional que o aconselhe. Um aquecimento adequado antes da corrida ou até alguns exercícios antes de iniciar esta prática tornam-se essenciais. Graças a isso, tem-se observado um aumento significativo de lesões em corredores (FREDERICSON; MISRA, 2007), assim como no número de estudos que se preocupam com a prevalência destas. Frequentemente, a forma errada de iniciar esta prática, leva ao abandono precoce de hábitos de vida saudável. Entender os fatores associados à maior prevalência de lesões em corredores é importantíssimo para que possíveis medidas preventivas possam ser realizadas antes de iniciar esta prática.

De uma forma geral, as lesões dividem-se em dois grandes tipos: traumáticas e de sobreuso ou de stress (JOSÉ SOARES;RUNNING – muito mais do que correr,2015). Na corrida, especificamente, as lesões mais frequentes são induzidas por uso excessivo ou stress.

Usando o livro RUNNING – muito mais do que correr de José Soares, como apoio vou enumerar algumas das lesões mais frequentes:

  • Joelho do corredor ou síndrome patelofemoral;
  • Tendinite do Aquiles;
  • Inflamação ou rutura dos Isquiotibiais (IT);
  • Fasceíte Plantar;
  • Síndrome da banda iliotibial;
  • Shinsplints/ periostite;
  • Fraturas de stress;

Com isto percebemos que a corrida é muito mais do que dar umas simples passadas. Para dar o passo correto ao iniciar esta prática, devemos percecionar os efeitos positivos e negativos decorrentes de forma a tornar esta atividade mais eficiente, mais segura e mais feliz. Tal como qualquer outra prática desportiva, a corrida deve ser iniciada seguindo algumas recomendações, nomeadamente no que refere à duração, intensidade, frequência e antecedentes clínicos. Neste sentido, para não correr o risco de abandonar precocemente a corrida devido a lesões ou desconfortos musculares, é muito importante conhecer os erros mais comuns do corredor numa fase precoce de preparação.

Deixo em seguida alguns erros mais comuns enumerados no livro anteriormente mencionado:

  • Exagerar : este é um erro muito comum em quem inicia qualquer atividade física. O entusiasmo leva muita vezes  as pessoas a quererem atingir objetivos  muito rapidamente não respeitando por isso os tempos de recuperação. Este erro leva muitas vezes a sobrecargas, ou stress , de estruturas anatómicas que foram enumeradas anteriormente.
  • Não ‘’ouvir o corpo’’: isto aplica-se tanto na atividade física como na nossa predisposição mental para tudo que fazemos na nossa vida.  Este é dos pontos mais importantes para prevenir lesões. Uma inflamação, um edema ou até uma dor aguda são sempre sinais de alerta que devemos respeitar. Só isso poderá prevenir inúmeras lesões .
  • Aquecimento: uma das características do músculo esquelético é o facto de ser constituído por diferentes tipos de fibras, por isso é que possuímos  músculos mais lentos, mais precisos, mais coordenados ou até mais fatigáveis. Devido a estas características heterogéneas é necessário fazer uma boa passagem do estado de repouso para a corrida propriamente dita. Uma passagem suave e progressiva é meio caminho andado para prevenir qualquer dano quer seja muscular ou esquelético.
  • Alimentação: tal como um bom aquecimento específico para determinada articulação, pode ser um fator decisivo para prevenir uma lesão; a alimentação é o nosso combustível e por isso, sem uma adequada ingestão de alimentos podemos estar a potenciar futuras inflamações ou sobrecargas.

Outro erro que se constata é o de ‘’efeito manada’’. Infelizmente nos dias de hoje, tudo é movido por tendências. É muito bom perceber que as pessoas começam a dar a devida importância às artes e à atividade física, e isso realmente é de louvar. Todavia, é muito importante perceber também que temos todos corpos e estruturas anatómicas diferentes. Não é porque toda a gente faz maratonas que eu posso ou deva fazer também. Volto a reforçar que não quero com isto dizer que as pessoas não devam correr, porque é muito melhor correr do que não fazer nada. No entanto, é fundamental que as pessoas não se deixem iludir com  as tendências tendo em conta o efeito, positivo ou negativo, que este  “seguidismo”  pode gerar no seu corpo. O exercício físico deve ser uma forma de estar na vida mas essa forma de estar tem de ser sempre vigiada, monitorizada e guiada por quem se formou para isso. Não tenha medo de iniciar a corrida, mas inicie de forma segura e eficaz para nunca abandonar esta forma de vida.

Bibliografia

FREDERICSON, M.; A. K. Misra. Epidemiology and aetiology of marathon running injuries. Sports Medicine, v. 37, n. 4-5, p. 437-439, 2007.

GRAD. TIÊ PARMA YAMATO; GRAD. BRUNO TIROTTI SARAGIOTTO; DR. ALEXANDRE DIAS LOPES. Prevalência de dor musculoesquelética em corredores de rua no momento em que precede o início da corrida. Rev. Bras. Ciênc. Esporte; Florianópolis, v. 33, n. 2, p. 475-482, abr./jun, 2011. (http://www.scielo.br/pdf/rbce/v33n2/13.pdf)

JOSÉ SOARES;RUNNING – muito mais do que correr,2015.

Sofia Quaresma

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