Incontinência urinária de esforço (IUE) e o treino

Que é?

A incontinência urinária de esforço (IUE) é uma condição clinica que afeta maioritariamente (mas não exclusivamente) a população feminina. A IUE trata-se da perda involuntária de urina que ocorre durante a realização de atividades e acções simples como tossir, espirrar, pegar em pesos, rir ou exercitar-se , resumidamente tudo que eleve a pressão intra-abdominal (McGuire, 1996; Abrams et al., 2002).

A IUE ocorre pelo menos em 10-20% das mulheres e muitas não sabem que há tratamentos simples e eficazes disponíveis, afeta a qualidade de vida das mulheres de múltiplas formas, como, limitar os relacionamentos pessoais e sociais das mulheres, bem como a realização de atividades físicas. Em Portugal, as estatísticas não são conhecidas, apesar de se estimar que mais de 50% das mulheres acima dos 50 anos já teve ou tem episódios de incontinência urinária.

Causas

A IUE dá-se devido à incapacidade dos músculos do períneo assegurarem os níveis de pressão intra-uretral superiores ao da pressão intravesical.

A fraqueza dos músculos perineais pode dar-se por algumas razões como por exemplo:

  • Processo de envelhecimento e/ou à gravidez e parto vaginal (Yasuda & Yamanishi, 1992),
  • Obesidade
  • Ao número de gravidezes e partos (Jolleys, 1988)
  • Fatores genéticos,
  • Redução no número de fibras do tipo I (Jozwik, 1993).

IUE e o Treino

Apesar de alguns profissionais desaconselharem o treino para quem sofre de IUE, outros recomendam fortemente o treino com alguns cuidados. O trabalho abdominal na mulher com IUE deve respeitar os princípios de contenção urinária fazendo apelo à contracção voluntária da musculatura do períneo antes de qualquer activação abdominal.

Nas mulheres que sofrem ou com elevada probabilidade de sofrer de IUE (ex. pós-parto; factor de idade ou genético) o treino da musculatura perineal deverá ser feito antes de qualquer trabalho abdominal.

Os procedimentos de consciencialização e treino dos exercícios de Kegel estão perfeitamente estabelecidos, podendo ser aprendidos com o auxílio de profissionais de saúde especializados, estes exercícios podem (e devem) ser realizados em qualquer altura do dia e nas mais diversas condições, sendo a sua frequência e intensidade reguladas pela própria mulher.

Resumidamente falando, nao devemos negligenciar o treino mesmo que sofram de IUE, hoje em dia existem métodos que podem ser utilizados para melhoria da condição sendo uma delas ja referidas no parágrafo acima.

Referências

Abrams, P., Cardozo, L., Fall, M., Griffiths, D., Rosier, P., Ulmsten, U., van Kerrebroeck, P., Victor, A., & Wein, A. (2002). The standardisation of terminology of lower urinary tract function: report from the Standardisation Sub-committee of the International Continence Society. Am J Obstet Gynecol, 187, 116-26.

Jolleys, J. V. (1988). Reported prevalence of urinary incontinence in women in a general practice. Br Med J (Clin Res Ed), 296, 1300-2.

Jozwik, M. (1993). Stress urinary incontinence in women–an overuse syndrome. Med Hypotheses, 40, 381-2.

McGuire, E. J. (1996). Stress incontinence: new alternatives. Int J Fertil Menopausal Stud, 41, 142-7.

Yasuda, K., & Yamanishi, T. (1992). The pathology and treatment of incontinence. Nippon Ronen Igakkai Zasshi, 29, 161-8

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