Exercício verde (green exercise)

O termo exercício  verde é  a designação, em língua  portuguesa,  para green exercise,  que  consiste  na combinação  de  atividade  física  com  exposição  à  natureza (Barton et al., 2012; Barton & Pretty, 2010).

Existem evidências de como a natureza, para além de ser um ambiente em que é possível praticar atividade física, consegue oferecer um conjunto de benefícios a nível de bem-estar físico, psicológico e social. Estes benefícios contribuem para uma diminuição das doenças cardiovasculares e melhoram o desempenho cognitivo.

A exposição à natureza e a atividade física podem estar intrinsecamente ligadas. Existem vários fatores que mostram a correlação com o uso de espaços verdes. Isso inclui fatores sociais e ambientais como o género, a idade, o nível educacional, a distância aos espaços verdes e, bem assim, a forma como a pessoa sente a natureza.

A prática de exercício tem sido também associada a um melhor bem-estar emocional, uma vez que, de acordo com diversas meta-análises realizadas, foi possível concluir que os estudos existentes fornecem evidências confiáveis no que diz respeito à redução de sentimentos de raiva, fadiga, ansiedade, tristeza e um aumento nos sentimentos de vigor.

Mais concretamente, no que diz respeito ao exercício verde, o contacto com a natureza durante a prática de exercício leva a uma apreciação da natureza, o que contribui para uma maior e mais rápida recuperação a nível psicológico, comparativamente a outros ambientes. Esta teoria sustenta que uma pessoa com níveis de ansiedade e stresse elevados, quando em contacto com a natureza, quer pela prática de exercício quer por lazer, evoca afetos positivos, bloqueando consequentemente aspetos negativos como a irritação ou confusão.

A investigação sobre a prática desportiva em contexto indoor e outdoor

A investigação dos benefícios do mencionado exercício verde já é extensa e como tal, para além desses mesmos benefícios, existem vários estudos que comparam os benefícios da prática desportiva em ambientes indoor e outdoor. De acordo com Thompson et al. (2011), as evidências emergentes sugerem que a prática de atividade física em meios naturais conduz a maiores benefícios quando comparada com a prática de atividade física num local fechado. Também de acordo com Rogerson et al.  (2016), o tipo de ambiente em que o exercício físico é praticado tem-se revelado importante para a redução do stresse. Comparando exercício em contexto indoor e outdoor, este último tem um impacto significativamente positivo no que diz respeito a alterações afetivas, atencionais e fisiológicas. Esta comparação da prática de exercício em contexto indoor e outdoor tem sido estudada ao longo dos anos e, para tal, têm sido utilizados principalmente exercícios aeróbios, como corrida ou ciclismo, e atividades físicas como caminhada.

Por exemplo, Kerr et al. (2006) compararam as possíveis alterações a nível emocional e de stresse, antes e depois do exercício, em corredores de competição e amadores. Estatisticamente, verificou-se um aumento das emoções positivas e uma diminuição das emoções negativas do pré para o pós-exercício, independentemente de o corredor ser amador ou profissional. No caso dos corredores de competição, os seus níveis de esforço foram significativamente maiores em contexto indoor do que outdoor. Rogerson (2016) compara estes dois ambientes em grupos de ciclistas, com intenção de perceber em qual deles existiam melhorias relativamente à atenção, humor, perceção de esforço e interação social. Os autores concluíram que o exercício outdoor promove a atenção e as interações sociais, influenciando positivamente as intenções futuras de prática de exercício físico. Também Hug (2009), através de entrevistas a 319 membros de centros de fitness em Zurique, comprova que indivíduos que praticam exercício outdoor o fazem com maior frequência, independentemente das expectativas de benefícios do exercício e das limitações pessoais.

Conclusões

O treino outdoor / exercício verde proporciona benefícios ao corpo e à mente, pois este liberta níveis mais elevados de endorfinas pós-exercício, além de aumentar os níveis de serotonina, que ajuda a sentir-se calmo e alerta. A prática de atividades físicas em ambientes abertos pode ser associada a uma melhor sensação de bem-estar, diminuição da ansiedade e uma menor frequência cardíaca de repouso. O Sol ajuda a promover a absorção do cálcio que fornece a força para os ossos e estimula o sistema imunológico.

Com base em resultados de vários estudos, estes sugerem que aqueles que atualmente são sedentários, inativos e/ou pessoas em que estado psicológico se encontra debilitado, também receberiam benefícios à saúde se pudessem realizar atividades físicas regulares e de curta duração no espaço verde acessível (provavelmente nas proximidades). Estes momentos na natureza contribuirão para benefícios imediatos à saúde mental e, ainda, promovem o contato com a natureza estabelecendo mais comportamentos e atitudes pró-ambientais.

Referências Bibliográficas

Barton, J., Griffin, M., & Pretty, J. (2012). Exercise-, nature-and socially interactive-based initiatives improve mood and self-esteem in the clinical population. Perspectives in public health, 132(2), 89-96.

Barton, J., & Pretty, J. (2010). What is the best dose of nature and green exercise for improving mental health? A multi-study analysis. Environmental science & technology, 44(10), 3947-3955.

Hug, S.-M., Hartig, T., Hansmann, R., Seeland, K., & Hornung, R. (2009). Restorative qualities of indoor and outdoorexercise settings as predictors of exercise frequency. Health & place, 15(4), 971-980.

Kerr, J. H., Fujiyama, H., Sugano, A., Okamura, T., Chang, M., & Onouha, F. (2006). Psychological responses to exercising in laboratory and natural environments. Psychology of Sport and Exercise, 7(4), 345-359.

Rogerson, M., Gladwell, V. F., Gallagher, D. J., & Barton, J. L. (2016). Influences of Green Outdoors versus Indoors Environmental Settings on Psychological and Social Outcomes of Controlled Exercise. International journal of environmental research and public health, 13(4), 363.

Thompson Coon, J., Boddy, K., Stein, K., Whear, R., Barton, J., & Depledge, M. H. (2011). Does participating in physical activity in outdoor natural environments have a greater effect on physical and mental wellbeing than physical activity indoors? A systematic review. Environmental science & technology, 45(5), 1761-1772.

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