Exercício Físico na gravidez

Neste momento delicado que estamos a viver a nível mundial, somos obrigados a ficar recolhidos em casa, cumprindo e bem o nosso dever cívico de cuidar de nós e dos que nos rodeiam. Mas isto não é sinónimo de isolamento total ou de inatividade física ou intelectual. Precisamos e devemos continuar e ter estímulos para nos mantermos ativos e saudáveis, mesmo que esteja num grupo especial de pessoas, ou que tenha algum estado de saúde mais complexo, como o caso das grávidas, que requerem alguns cuidados na realização de determinadas tarefas.

A gravidez é um período muito especial na vida da mulher e segundo o American College of Obstetricians and Genecologists (ACOG) traz consigo algumas alterações ao nível postural, fisiológico e também social. Neste sentido o exercício físico de forma controlada e moderada traz inúmeros benefícios tanto á mulher como ao bebé em desenvolvimento no ventre da mãe (Artal & O’Toole, 2003).

De entre todos os benefícios podemos salientar os mais relevantes segundo o American College of Sports Medicine (ACSM), prevenir o aparecimento de hipertensão gestacional, diabetes gestacional, incontinência urinária, ganho de peso excessivo, depressão e até atenuar a dor lombar (Americal College of Sports Medicine, 2017).

Segundo ACSM e o ACOG é importante incentivar as gestantes a praticar exercício físico durante a gravidez (Americal College of Sports Medicine, 2017; Artal & O’Toole, 2003).   

Semelhante ao que é aconselhado á população em geral a ACOG recomenda pelo menos 150 minutos de exercícios aeróbicos de intensidade moderada para as mulheres grávidas saudáveis (Artal & O’Toole, 2003).

Se a mulher não tiver contraindicações médicas, deve realizar exercício físico monitorizando sempre a intensidade do esforço, podendo realizar 8 a 10 exercícios de força, realizados em uma ou duas sessões por semana em dias separados. Uma das sessões de força pode ser substituída por uma de treino cardiovascular. Deve usar cargas mais leves ou bandas elásticas, realizando 15 a 20 repetições. Ter atenção para não realizar apneia durante o exercício (Zavorsky & Longo, 2011).

Algumas alterações fisiológicas surgem nesta faze especial da vida da mulher, como as alterações ao nível respiratório, a circulação e a pressão arterial. Por isso, é recomendado que as mulheres grávidas evitem qualquer posição supina (ex. deitada no chão de barriga para cima) após as 16 semanas de gravidez. Este último ponto é muito importante porque o peso do bebé nessa posição pode diminuir o retorno venoso e o débito cardíaco resultando numa hipotensão. Além destas, também vão surgir algumas alterações anatómicas com a alteração do centro de gravidade à medida que a gravidez avança, causando desconforto em algumas articulações. A mais importante e visível é o aumento da lordose lombar, que traz consigo dor lombar, que pode ser aliviada como referido acima com a prática regular de exercício físico (Americal College of Sports Medicine, 2017).

Resumindo, a prática de exercício físico é fortemente aconselhada às grávidas que se devem manter ativas nesta fase especial da sua vida, tendo inúmeros benefícios associados e reduzindo as complicações ao longo da gestação, no parto e no pós-parto.

Mantenha-se ativa!

Referências Bibliográficas

Americal College of Sports Medicine. (2017). ACSM’s Guidelines for Exercise Testing and Prescription 10th Ed. 2017. Lippincott Williams & Wilkins, 195–202.

Artal, R., & O’Toole, M. (2003). Guidelines of the American College of Obstetricians and Gynecologists for exercise during pregnancy and the postpartum period. British Journal of Sports Medicine. https://doi.org/10.1136/bjsm.37.1.6

Zavorsky, G. S., & Longo, L. D. (2011). Adding strength training, exercise intensity, and caloric expenditure to exercise guidelines in pregnancy. Obstetrics and Gynecology. https://doi.org/10.1097/AOG.0b013e31821b1f5a

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