Efeitos do treino aeróbio e de força em pessoas com cancro durante a fase de tratamento de quimioterapia

O cancro é uma das principais causas de morte no mundo e é um problema cada vez mais frequente. (Instituto Nacional do Cancro, 2009).

Esta doença é considerada multifatorial, já que não possui um único fator de causa. Além disso, a inatividade física é considerada um fator de risco para o desenvolvimento do cancro. Por este motivo a comunidade cientifica tem discutido a aplicação do exercício fisico como estratégia não farmacológica para a prevenção da doença e reabilitação de indivíduos durante e após o tratamento.

A quimioterapia, é uma das formas de tratamento do cancro. Segundo o Instituto Nacional do Cancro (2014) “A quimioterapia é a forma de tratamento sistémico que usa medicamentos denominados quimioterapeuticos ou antineoplasicos administrados em intervalos regulares que variam de acordo com os esquemas terapeuticos.”.

Os tratamentos desta doença promovem efeitos colaterais que muitas vezes estão associados a uma fadiga generalizada, fraqueza muscular, resistências cardiorrespiratórias e muscular reduzidas (Mcneely e colaboradores, 2006).

O exercício físico é uma forma de minimizar os efeitos colaterais dos medicamentos usados no tratamento da quimipoterapia.

O Instituto Nacional do Cancro (2014) propõe algumas dicas para as pessoas se prevenirem contra o cancro, são elas: não fumar, ter uma alimentação saudável praticar atividade física, evitar a ingestão de bebidas alcoólicas e evitar a exposição prolongada ao sol.

Exercício fisico e cancro

Hoje em dia, o tratamento do cancro, além da manutenção ou prolongamento da vida, promove também a sobrevivência humana e a maior qualidade de vida.

Indivíduos com cancro tem fadiga intensa, náuseas, depressão, atrofia muscular, diminuição da capacidade aeróbia, diminuição da força e flexibilidade e perda de massa muscular. Estes fatores contribuem para a diminuição da qualidade de vida. (Friedenreich e Courneya, 1999).

A implantação de um programa de exercícios físicos pode ser feita em quaisquer das três fases após o diagnostico do cancro, no entanto, em cada fase, os objetivos são diferentes.

Fase pré-tratamento: compreende o período entre o diagnostico da doença e o inicio do tratamento. Os objetivos são melhorar o estado funcional geral, prevenir e atenuar o declínio funcional durante o tratamento, auxiliar o indivíduo no estado emocional e psicológico enquanto espera o tratamento. Para os indivíduos já praticantes de atividade física, devem priorizar a manutenção da atividade e, para os não praticantes, começar um plano de treinos progressivo. (Mcneely e colaboradores, 2006).

Durante o tratamento: O objetivo desta fase é atenuar os efeitos colaterais dos tratamentos. Fazer uma manutenção das funções físicas e composição corporal, manutenção/melhoria da capacidade funcional e força muscular (Knols e colaboradores, 2005), estado de humor e qualidade de vida, facilitar a conclusão do tratamento e potenciar a eficácia dos tratamentos (Courneya e colaboradores, 2007).

Fase pós tratamento: Fase direcionada para os indivíduos que terminaram o tratamento, sendo o exercício essencial no processo de recuperação e otimização do estado de saúde geral e qualidade de vida (Courneya e colaboradores, 2007).

Alguns estudos concluídos até ao momento mostram efeitos benéficos da atividade física contra o cancro. (Uhlenbruck, Order, 1991, Ortega e colaboradores 1998).

Embora diferentes estudos mostrem que a atividade física tem uma contribuição na redução da mortalidade de indivíduos com cancro e na promoção de seu bem-estar, no entanto, ainda não há um consenso em relação à intensidade, tanto nos estudos com animais como em humanos (Pedroso, Araújo, Stevanato, 2005).

Alguns estudos indicam que intensidade moderada de exercício e atividades ocupacionais são as mais recomendáveis para reduzir o risco de cancro (Dorgan e colaboradores, 1994; Paffenbarger, Hyde, Wing, 1987; Ortega e colaboradores, 1998; Friendereich, Courneya, Bryant, 2001), mas alguns estudos defendem que os exercícios de alta intensidade também sejam recomendáveis para reduzir o risco de cancro (Dorn e colaboradores, 2006; Slattery, Potter, 2002).

Exercícios físicos aeróbios e de força e seus efeitos na quimioterapia

O estudo de Al-Majid e colaboradores (2001) aponta o aumento do consumo de oxigénio, da redução de náuseas, depressão e fadiga em mulheres com cancro de mama submetidos a exercícios aeróbios, demonstrando também uma melhoria de até 40% da capacidade funcional.

O estudo de Quist e colaboradores (2012) teve como objetivo investigar a segurança e a viabilidade de um prazo de seis semanas supervisionado num programa estruturado de treino de força e aeróbio sobre o consumo máximo de oxigenio, a força muscular e a qualidade de vida em pacientes com cancro do pulmão com tratamento de quimioterapia. No final do estudo, mostrou-se que os exercícios físicos produziram melhorias significativas sobre o consumo máximo de oxigenio, a força muscular e a qualidade de vida e que as suas práticas são seguras e viáveis nos pacientes com cancro de pulmão em estado avançado, submetidos à quimioterapia.

O estudo de Adamsen e colaboradores (2009) mostraram que a intervenção de exercício supervisionado (aeróbio, força, relaxamento e consciência), incluindo componentes de alta e baixa intensidade era viável e poderia ser utilizada com segurança em pacientes com vários tipos de cancro, submetidos à quimioterapia. A intervenção reduziu a fadiga e melhora a vitalidade, capacidade aeróbia, força muscular e atividade física e funcional e bem-estar emocional.

Adamsen e colaboradores, (2009) concluíram que o exercício de alta intensidade reduziu a fadiga em pacientes submetidos a quimioterapia.

O estudo de Schwartz e colaboradores (2001) mostrou a relação entre o exercício sobre a fadiga durante os três primeiros ciclos de quimioterapia em mulheres com cancro de mama. O exercício utilizado no estudo foi o de força e mostrou que o impacto do exercício sobre a fadiga foi significativa e sugere a eficácia de programa de exercícios de intensidade moderada regular na manutenção da capacidade funcional e reduzindo a fadiga em mulheres com cancro de mama submetido à quimioterapia.

Conclusão

Apesar de a quimioterapia trazer efeitos colaterais indesejáveis, como fadiga, depressão, fraqueza muscular etc. em pessoas com cancro, foi verificado que uma forma de minimizar estes efeitos é a prática de exercícios físicos de força e aeróbios.

Os estudos analisados mostraram que tanto o treino de força quanto o aeróbio trouxeram algum efeito positivo, seja este fisiológico, funcional, psicológico e/ou na composição corporal, em indivíduos com cancro em tratamento de quimioterapia. Então, conclui-se que pacientes com cancro em tratamento de quimioterapia podem submeter-se a um programa de exercício físico, orientados e acompanhados por um profissional que tenha conhecimento do assunto.

REFERÊNCIAS

1-Adamsen, L.; e colaboradores. Effect of a multimodal high intensity exercise intervention in cancer patients undergoing chemotherapy: randomized controlled Trial. Biomedical Medicine Journal. Vol. 339. Núm. 3410. 2009.

2-Al-Majid, S.; Mccarthy, D. O. Cancer-induced fatigue and skeletal muscle wasting: the role of exercise. Biological Research for Nursing. Vol. 2. 2001. p.186-197.

3-American Cancer Society. Understanding Cancer. 2014. Disponível em: http://www.cancer.org/cancer/cancerbasics/ind ex

4- Battaglini, C.; e colaboradores. Efeitos do treinamento de resistência na força muscular e níveis de fadiga em pacientes com câncer de mama. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. Vol. 12. Núm. 3. 2006.

5- Courneya, K. S.; Friedenreich, C. M. Physical exercise and quality of life following cancer diagnosis: a literature review. Ann. Behav. Med. Vol. 21. 1999. p171-179.

6-Courneya, K.; e colaboradores. Effects of Aerobic and Resistance Exercise in Breast Cancer Patients Receiving Adjuvant Chemotherapy: A Multicenter Randomized Controlled Trial. Journal of Clinical Oncology. Alexandria. Vol. 25. Núm. 28. 2007 p. 4396- 4404.

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