Efeito Benéfico do Exercício Físico no Controle Metabólico da Diabetes Mellitus Tipo 2

Diabetes Mellitus Tipo 2

A diabetes tipo 2 representa cerca de 85 a 95% de todos os casos de diabetes em países desenvolvidos (Organização Mundial de Saúde, 1994), sendo esta percentagem ainda mais alta nos países em desenvolvimento. A diabetes tipo 2 é agora um comum e grave problema de saúde global que, na maioria dos países, tem evoluído em associação com as rápidas mudanças culturais e sociais, tais como o envelhecimento da população, o aumento da urbanização, as mudanças dietéticas, o sedentarismo e o estilo de vida pouco saudáveis (IDF, 2003).

 

Benefícios do Exercício Físico na Prevenção e Controlo da Diabetes Tipo 2

Existem fortes evidências atualmente que apoiam o conceito de que os hábitos sedentários e a baixa aptidão cardiorrespiratória estão envolvidos em diversos aspetos da progressão desde uma situação de normal metabolismo da glicose até à diabetes tipo 2 (Albrigth et al, 2000; Grundy et al, 2002; Redberg et al,2002 ).

Desde há muitos anos que o exercício, juntamente com a dieta e a terapêutica farmacológica, é considerado um pilar fundamental do tratamento da diabetes tipo 2 (Joslin et al, 1959). A atividade física regular é geralmente recomendada, uma vez que tem efeitos benéficos sobre os fatores metabólicos de risco para o desenvolvimento das complicações da diabetes (ADA,1997).

Estudos demonstraram que a prática de exercício físico apresenta uma relação inversa relativamente à probabilidade de progressão desde uma situação de normal metabolismo da glicose para uma situação de diabetes tipo 2.

O exercício físico aumenta o fluxo sanguíneo, o qual induz um relaxamento do músculo, provocando a sua vasodilatação. O treino físico supervisionado reduz ainda a quantidade da lipoproteína de baixa densidade (VLDL) em pessoas com diabetes tipo 2 (Alam et al., 2004). É, ainda, benéfico pois vai estimular a produção de insulina e facilitar o seu transporte para as células.

 

Treino Aeróbio VS. Treino de Força

O treino aeróbio é definido por uma atividade rítmica, repetida e com movimentos contínuos dos grandes grupos musculares realizados por, pelo menos, 10 minutos. Alguns exemplos deste tipo de exercício incluem caminhadas, ciclismo, corrida, natação contínua, hidroginástica, e muitos outros desportos. Quando realizados com intensidade e frequência suficientes, este tipo de exercício aumenta a aptidão cardiorrespiratória. A intensidade do exercício aeróbio pode ser descrita como moderada quando se encontra entre os 40-60% VO2 max. (50-70% da frequência cardíaca máxima) e como de alta intensidade quando se encontra acima dos 60% VO2 max. (>70% da frequência cardíaca máxima).

O treino de força é definido por prática de atividades que utilizam a força muscular para mover um peso ou trabalhar contra uma carga resistente. Alguns exemplos incluem exercícios de levantamento de peso e utilização de máquinas de pesos. Quando realizado com regularidade e intensidade moderada a alta, este tipo de exercício aumenta a aptidão muscular (Sigal et al, 2004). A intensidade do exercício de força pode ser descrita como alta se a resistência for ≥75% do máximo que pode ser levantado de uma única repetição (≥75% de 1-RM (repetição máxima) e moderada se a resistência se encontra entre 50-74% de 1-RM (Sigal et al, 2004). Para além da redução do grau de perda de massa muscular com o envelhecimento, o treino de força melhora ainda a força muscular e a capacidade funcional, permitindo assim um estilo de vida mais saudável e mais ativo.

Tanto o treino aeróbio como o treino de força podem ser aplicados para melhorar o controlo metabólico e qualidade de vida em indivíduos com diabetes tipo 2.

 

Treino Aeróbio

A quantidade e intensidade do treino aeróbio recomendado variam de acordo com os objetivos. É recomendada a prática de pelo menos 150 minutos/semana de exercício físico aeróbio de intensidade moderada (40-60% de VO2 max. ou 50-70% da frequência cardíaca máxima) e/ou, de pelo menos 90 minutos/semana  de  exercício  aeróbio  vigoroso  (>60%  do  VO2  max. ou >70% da frequência cardíaca máxima). O exercício físico deve ser distribuído por pelo menos 3 dias por semana e sem que se excedam mais de 2 dias consecutivos sem exercício físico (Boulé et al, 2001,2003). A prática de ≥4 h / semana de exercício (aeróbio e/ou de força) moderado a vigoroso está associada a maior redução do risco de doenças cardiovasculares em comparação com volumes mais baixos de exercício.

 

Treino de Força

A fase inicial no treino de força deve dar tempo para que ocorra uma adequada adaptação músculo-esquelética e para que ocorra aprendizagem de uma boa técnica, reduzindo assim o potencial de dor muscular excessiva e ou de lesões musculares. A carga inicial deve ser fixada num nível moderado, permitindo atingir o intervalo de esforço prescrito, sem grandes dificuldades. Na ausência de contraindicações, os doentes com diabetes tipo 2, devem realizar exercício de força 3 vezes por semana, durante cerca de 1h, solicitando um número elevado de grandes grupos musculares, realizando 3 séries de 8 a 10 repetições de cada exercício (Dunstan et al, 2002; Castaneda et al, 2002). Para garantir que os exercícios de força são realizados corretamente, maximizando os benefícios para a saúde e minimizando o risco de lesões é recomendado uma supervisão inicial e reavaliações periódicas por um especialista qualificado.

João Teixeira – Pump Republica

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