DISMORFIA MUSCULAR (VIGOREXIA) SIM, É UMA PATOLOGIA!

Está mais que provado que a prática de exercício físico traz imensos benefícios não só a nível físico como psicológico, com este artigo espero traduzir a dismorfia muscular de uma forma resumida e clara.

Pois bem, a dismorfia muscular (DM) tem vindo a afetar tanto homens como mulheres independentemente da idade, etnia e classe social, provocando assim alterações da perceção da própria imagem, prejuízos socioculturais, e a saúde e bem-estar dos mesmos.

A dismorfia corporal é um transtorno que tem como característica principal alterações na perceção da própria imagem, preocupações irracionais de possíveis imperfeições na aparência, por vezes, de modo acentuadamente excessivo e desproporcional à realidade, afetando assim o funcionamento pessoal, familiar, social e profissional de pessoas que sofrem desta patologia.

Na década de 1990, a preocupação com a imagem corporal era predominantemente feminina, relacionada à anorexia e à bulimia. Atualmente, estas preocupações corporais afetam ambos os sexos, e de forma crescente os homens, sendo denominadas de dismorfia muscular (DM) ou vigorexia.

Sendo a dismorfia muscular um transtorno “recentemente” descoberto o seu quadro clínico ainda não está devidamente explorado e definido e devido à falta de estudos sobre esta patologia alguns autores sugerem que o mesmo deve-se a fatores socioculturais.

Algumas pesquisas concluíram que a dismorfia muscular, na maior parte das vezes, manifesta-se quando os indivíduos sofrem de pressões sociais para alcançar um determinado padrão corporal. Outros pensam que a DM acontece devido a baixa autoestima, insatisfação e distorção da aparência do corpo, associadas a fatores biológicos e sociais.

Grieve (2007) propôs que as variáveis mais importantes relacionadas à dismorfia muscular são a distorção da perceção da imagem corporal, a insatisfação com o corpo, e a construção mental de uma imagem corporal ideal. Estas três variáveis, juntamente com perfeccionismo, baixa autoestima e pressão dos mídia são pensadas como a base das condições necessárias para o desenvolvimento da dismorfia muscular.

A identificação precoce da dismorfia muscular tende a salvaguardar os indivíduos e possivelmente  minimizar o uso de drogas que podem ser nocivas ao corpo e a mente, como por exemplo, os famosos esteróides anabolizantes, geralmente administrados para obter os resultados desejados ou fantasiados mais rapidamente, como um corpo perfeitamente musculoso e forte.

Na maior parte dos casos, este comportamento é fruto da busca pela aceitação social e, sobretudo a extrema pressão exercida pela mídia (Rohman, 2009). Neste contexto, fica clara a íntima relação entre a busca pelo corpo musculoso e a ausência de limites para atingir tal objetivo, conduzindo pessoas à procura de um corpo extremamente hipertrofiado.

Prof. Tiago Amorim – PUMP GAIA

Referências bibliográficas

Fairburn, C. (1994). Eating disorders. In R. Kendell & A. K. Zeally (Eds.), Companion to psychiatric studies (pp. 525-542)

Grieve, F. G. (2007). A conceptual model of factors contributing to the development of muscle dysmorphia. Eating Disorders, 15, 63-80

Hildelbrandt, T., Langenbucher, J., & Schlundt, D. G. (2004). Muscularity concerns among men: Development of attitudinal and perceptual measures. Body Image, 1, 169-181. doi: 10.1016/ j.bodyim.2004.01.001

Lantz, C. D., Rhea, D. J., & Mayhew, J. L. (2001). The drive for size: A psycho-behavioral model of muscle dysmorphia. International Sports Journal, 5, 71-86

Pope Jr, H. G., Gruber, A. J., Choi, O., Olivardia, R., & Phillips, K. A. (1997). Muscle dysmorphia: An underrecognized form of body dysmorphic disorder. Psychosomatics, 38, 547-548.

Pope Jr, H. G., Phillips, K., & Olivardia, R. (2000). The Adonis complex: The secret crisis of male body obsession. New York: Free Press.

Rohman, L. (2009). The relationship between anabolic androgenic steroids and muscle dysmorphia: A review. Eating Disorders, 17, 187-199

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