Desidratação nos meses quentes

Esta altura é propícia a uma maior retenção de líquidos. As altas temperaturas mostram-se como um inimigo da circulação sanguínea. O excesso de calor faz com que as nossas veias se dilatem, o que pode causar inchaço, formigueiro, sensação de peso e até dor nas pernas e nos pés. A desidratação ocorre quando o corpo não tem fluidos em quantidade suficiente para continuar a funcionar adequadamente.

No período do Verão, verifica-se um aumento da temperatura ambiente, muitas vezes acompanhado também da diminuição da humidade do ar, fatores responsáveis pelo aumento das nossas necessidades hídricas nesta altura do ano. O aumento da temperatura externa causa um aumento da temperatura interna do organismo, que este tenta aliviar através de uma maior taxa de sudação. A diminuição da humidade, por sua vez, leva a maiores gastos de água ao nível da respiração. Para que essas perdas de água a nível corporal não tenham um impacto negativo real no funcionamento adequado do organismo, a água perdida deve ser reposta, ingerindo diariamente entre 1,5L-2L de água em média.

A situação é simples: se não ingerimos uma quantidade suficiente ou passamos por um episódio de perda excessiva de líquidos, o corpo sofre maior risco de desidratação. Esse quadro pode ser particularmente perigoso para idosos, crianças e pessoas com o sistema imunológico enfraquecido e, nesses casos, a atenção deve ser redobrada.  A desidratação nestas alturas pode levar a consequências ao nível dos diversos sistemas orgânicos, nomeadamente a nível mental, cardiovascular, digestivo e renal. Na desidratação, existe uma redução do volume sanguíneo, o que dificulta a irrigação sanguínea dos vários órgãos e tecidos corporais, podendo comprometer o seu funcionamento.

A reposição de líquidos perdidos é muito importante e deve ser feita ingerindo água. No calor é importante repor estas perdas, assim o importante é não esperar sentir sede. O ideal é manter sempre uma garrafa de água por perto para não nos esquecermos de hidratar. Para quem não sente uma facilidade em consumir água, pode compensar com a ingestão de chás e infusões, ou fazer águas aromatizadas em casa com as suas frutas preferidas. A fruta fresca, os vegetais frescos, as sopas, os sumos naturais de fruta e o leite também contêm uma boa percentagem de água, mas também outros nutrientes, pelo que podem ajudar a repor alguma quantidade de água, mas não são a principal fonte da mesma, nem substituem os líquidos.  Por outro lado, os sumos comerciais e os refrigerantes contêm para além de água, grandes quantidades de açúcar pelo que o seu consumo pode causar risco de outros problemas de saúde, como por exemplo diabetes ou obesidade, ainda podem também aumentar a osmolaridade do sangue o que pode vir a desencadear a própria sensação de sede. Ainda bebidas alcoólicas, muito consumidas nesta altura do ano, têm efeito diurético causando uma ação de desidratação, acabando por desidratar ainda mais o organismo.

O Sistema Nacional de Informações sobre Doenças Digestivas, dos Estados Unidos, orienta: qualquer pessoa com os sinais como urina escura ou pouco frequente, pela seca, desmaios ou tonturas, cansaço, e até pele que não retorna ao normal depois de ser pressionada, são sinais de uma possível desidratação.

Assim, lembre-se de não só nos meses quentes, como durante todo o ano, de ir bebericando pequenas quantidades de água ao longo do dia e ter sempre a garrafa por perto. Evite chegar a ponto de desidratação.

Nutricionista Catarina Serpa (3435N)

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