Compulsão por doces

Qualquer compulsão alimentar é em primeiro lugar desencadeada pelo apetite – necessidade ou desejo de ingerir um alimento em particular, mesmo quando não há necessidade fisiológica e real (fome). Por norma, este apetite responde a estímulos internos e externos, podendo muitas vezes ser desencadeado por emoções extremas e em resposta a situações de stress e ansiedade, por exemplo. A capacidade individual de cada um em lidar com as emoções e a sua forma de interagir com a alimentação é o que vai ditar a resposta a estes estímulos e a sua consequente ingestão alimentar. Grande parte das pessoas, a determinada altura, já teve uma situação de compulsão alimentar, porque tinha de estudar para um exame ou porque tinha uma situação pessoal/ profissional stressante. Mas quando é que estes episódios se tornam em compulsão alimentar? Para algumas pessoas, estes momentos não são apenas passageiros e acabam por ser recorrentes no seu dia-a-dia, comprometendo a sua vida e os seus objetivos.

Existem vários motivos que podem ditar estas situações de compulsão alimentar:

Hábito – maioria dos comportamentos acontece por hábito e repetição, como aquela nata ou chocolate com o café após o almoço. O problema acontece quando este hábito impede de atingir os objetivos, nesse caso a solução passa por reduzir a quantidade e/ ou a frequência deste comportamento;

Carências Nutricionais – o défice em alguns nutrientes, como o magnésio ou o crómio, podem potenciar este desejo alimentar. Ingerir alimentos como os frutos oleaginosos, o cacau em pó e algumas sementes podem ajudar nesta carência;

Alimentação desequilibrada – o consumo de hidratos de carbono refinados e açúcar gera um ciclo vicioso, pois quando ingerimos este tipo de alimentos, ocorre um “pico” de açúcar na corrente sanguínea e a libertação de insulina é estimulada. Com a atuação da insulina estes níveis descem abruptamente desencadeado a necessidade de repor novamente os níveis de energia e assim sucessivamente, parecendo que há uma necessidade constante de ingerir açúcares;

Stress e ansiedade – a exposição crónica ao stress resulta num aumento do cortisol (hormona do stress) podendo afetar a qualidade do sono e, consequentemente, a produção de serotonina e dopamina – substâncias calmantes. Na privação destes neurotransmissores, o açúcar vai atuar como calmante, estimulando esta dependência alimentar e gerando novamente um ciclo vicioso. Precisamos de continuar a ingerir açúcar para nos sentirmos bem e calmos.

Restrição demasiado severa – restrição gera compulsão. É fundamental aprender a equilibrar.

Nutricionista Sílvia Oliveira (2164N)

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