Benefícios da atividade física na saúde das crianças e adolescentes

Em termos gerais, é frequente associar o desporto a um conjunto diferenciado de vantagens que podem ser agrupadas em dois grandes domínios.

Em primeiro lugar, ao nível físico, através da aprendizagem de competências desportivas, da melhoria da saúde e forma física e da prevenção de doenças, como os problemas coronários, a osteoporose, a diabetes, a obesidade, etc. (Brown & Brown, 1996; Pangrazi, 2000).

Em segundo lugar, ao nível psicossocial, é habitual relacionar o exercício físico com o desenvolvimento de capacidades de liderança e iniciativa, de autodisciplina e independência, da autoconfiança e auto-estima, do respeito pela autoridade, da competitividade, cooperação e amizade e do desenvolvimento moral, através do reconhecimento e aceitação de regras e comportamentos próprios do desporto em causa (Brustad, 1993; Coakley, 1993; Hausemblas & Downs, 2001; Lemyre, Roberts, & Ommundsen, 2002; Moran & Weiss, 2006; Smith & Smoll, 1996a; Smith, Ullrich-French, Walker II, & Hurley, 2006; Tremayne & Tremayne, 2004).

A atividade física (AF) durante a infância tem demonstrado ser um fator importante na idade adulta, principalmente no que diz respeito à redução de vários fatores de risco para doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2, incluindo a insulina, pressão arterial e composição corporal (Martens, 1987; Martens et al., 1981).

Todavia, os problemas de saúde óssea na fase adulta desenvolvem-se durante os anos de crescimento, por isso, é muito importante que as crianças e adolescentes adotem comportamentos fisicamente ativos como a prática desportiva, para desenvolver a massa óssea de forma saudável e evitar que problemas como osteoporose e fraturas surjam em idades mais avançadas.

A AF é o ponto-chave de equilíbrio energético entre o crescimento físico e o peso corporal, pelo que a AF é essencial para a prevenção da obesidade infantil, portanto é possível afirmar que crianças fisicamente ativas têm perfis cardiovasculares mais saudáveis, têm massa corporal mais magra e maior massa óssea em relação às crianças fisicamente inativas, além disso, têm maior capacidade em regular o peso corporal e melhor composição corporal, consequentemente a AF está associada à melhoria da autoestima e do bem- estar emocional em crianças e adolescentes.

A ideia base do princípio do bem-estar e dignidade pessoal diz respeito à necessidade que todos nós temos em sentirmo-nos competentes e experienciarmos sucesso nas diversas atividades que realizamos (Horn & Harris, 1996; Martens, 1996), o desenvolvimento do sentimento de bem-estar é um dos aspetos que mais poderá estimular a criação de condições positivas para a prática de exercício físico e desporto.

Pelo contrário, a inatividade física é considerada um grave problema de saúde pública e, parece existir evidências que sustentam que níveis altos de atividade física (AF) e níveis baixos de sedentarismo estão associados à maior capacidade cognitiva em crianças, por outro lado, maior tempo de sedentarismo como ver televisão, parece estar diretamente associado a níveis baixos de concentração e rendimento escolar. Por conseguinte, crianças com níveis baixos de qualidade de vida têm maior dificuldade em desenvolverem-se normalmente e amadurecerem para se tornar um adulto saudável.

As recomendações diárias para a AF em crianças e adolescentes são 60 minutos diários de intensidade moderada a vigorosa, de forma a ter benefícios para a saúde (OMS, 2011).

No entanto, é igualmente importante tentar perceber quanto tempo é despendido em atividades sedentárias porque de acordo com uma revisão sistemática que analisou o tempo gasto nessas atividades demonstrou que grandes períodos de sedentarismo têm uma influência negativa na saúde das crianças e adolescentes (Brown, 1992; Gomes, 1996; Orlick & Zitzelsberger, 1996).

Concluindo, o desporto em idades jovens é uma mais valia, em várias vertentes, desenvolve o raciocínio das crianças, sobretudo em idades entre o pré-escolar e o ensino secundário, reduz os níveis de stresse e ansiedade, melhora os níveis de atenção e de concentração das crianças o que pode resultar numa melhoria do rendimento escolar, uma melhoria da auto-estima, pelo contrário, uma baixa autoestima pode resultar em mudanças de humor, isolamento, pior desempenho escolar, maior vulnerabilidade ao bullying e até depressão infantil.

Praticar um desporto em equipa é melhorar também as competências de comunicação, entreajuda e trabalho cooperativo – dentro e fora de campo. Já as crianças mais velhas conseguem trabalhar melhor em tarefas de grupo. Esta é também uma competência fundamental para o futuro, no mercado de trabalho.

BIBLIOGRAFIA

  • Brown, E.W. (1992). Youth soccer: A complete handbook. Michigan State University: Cooper Publishing Group.
  • Brown, W., & Brown, P. (1996). Children, physical activity and better health. ACHPER Healthy Lifestyles Journal, 43, 19-24.
  • Brustad, R.J. (1993). Youth in sport: Psychological considerations. In R. N. Singer, M. Murphey & L. Tennant, Handbook of research on sport psychology (pp. 695-717). New York: Macmillan.
  • Horn, T.S., & Harris, A. (1996). Perceived competence in young athletes: Research findings and recommendations for coaches and parents. In F.L. Smoll & R.E. Smith (Eds.), Children and youth in sport. A Biopsychosocial perspective (pp. 309-329). Madison, WI: Brown & Benchmark.
  • https://www.efdeportes.com/efd123/a-importancia-do-desporto-na-vida-dos-jovens-uma-explicacao-para-os-pais.htm
  • Martens, R. (1980). The uniqueness of the young athlete: Psychological considerations. American Journal of Sports Medicine, 8, 382-385.

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