Aterosclerose

Aterosclerose

Aterosclerose é caracterizada por uma doença de carácter inflamatório crónico e degenerativo, ocorrendo através da retração das artérias reduzindo o fluxo sanguíneo no coração, no cérebro, nos intestinos, nos braços e nas pernas.

Nesta doença há uma retração das artérias, pois ocorre depósitos de gordura denominados por placas que se acumulam no seu interior. Nestas placas, conhecidas por ateromas, encontramos, colesterol que é composto por lipoproteínas de baixa densidade, células musculares lisas, tecido fibroso, e em alguns casos o cálcio. Quando existe um crescimento dessa mesma placa ao longo da artéria, é produzido uma área rugosa na parte lisa, formando assim um coágulo de sangue dentro da mesma, bloqueando o fluxo e levando a Derrames, a Ataques Cardíacos, a Aneurismas, a Doenças Periféricas, entre outras complicações associadas. 
A artéria tem três componentes Túnicas:

  • Túnica Adventícia, que transporta o sangue e inervação para a artéria;
  • Túnica Média, com músculo liso vascular e que controla o tónus vascular;
  • Túnica Íntima, com um revimento basal coberto por endotélio que regula a hemóstase, a trombose, o tónus e a permeabilidade vascular;

(Revista fatores de Risco 2007, nº6, (Jul-Set), pag40-45)

A Aterosclerose é provocada pelo excesso de gordura na corrente sanguínea, devido a uma má Alimentação (alimentos ricos em gordura e pobres em legumes), ao Sedentarismo, à Obesidade, ao Tabaco, à Diabetes, à Hipertensão Arterial, ao Colesterol alto e a uma Predisposição Genética. Podendo desta forma causar uma reação inflamatória no endotélio (uma capa celular que reveste as paredes internas das artérias), começando a nascer “Ateromos” (Placas) ao longo dos anos, formando-se assim camadas sobre camadas, congestionando o trânsito sanguíneo provocando danos diferentes, dependendo de onde comprometem a circulação sanguínea.

Exercício Aeróbio no processo Aterosclerótico

Estudos indicam-nos que a não prática de exercício físico e a baixa preservação cardiorrespiratória são fatores preditores de doença cardiovascular aterosclerótica, assim como o aumento da atividade física e condicionamento cardiorrespiratório está associado ao decréscimo de todas as causas de mortalidade em homens com acometimentos cardiovasculares pré-existentes. (Da Silva KS, Nahas MV, Hoefelmann LP, Lopes AS, de Oliveira ES. Associações entre atividade física, índice de massa corporal e comportamentos sedentários em adolescentes. Rev Bras Epidemiol 2008;11:159-68 ; Cimadon HM, Geremia R, Pellanda LC. Dietary habits and risk factors for atherosclerosis in students from Bento Gonçalves. Arq Bras Cardiol 2010; Jul 9; Holtermann A, Mortensen OS, Burr H, Søgaard K, Gyntelberg F, Suadicani P. Fitness, work and leisure-time physical activity, and ischaemic heart disease and all-cause mortality among men with pre-existing cardiovascular disease. Scand J Work Environ Health 2010; Mar 2)

A prática convencional de exercício físico aeróbio, o que exige presença de oxigénio na produção de energia e propicia a queima oxidativa de substância energéticas como carbo-hidratos, gorduras e proteínas é utilizado e recomendado para prevenção e para o tratamento da Aterosclerose, sendo recomendada três a seis vezes por semana, com uma duração máxima de 60 minutos por sessão e com uma intensidade moderada (60 a 60% da frequência cardíaca máxima).

Num estudo Siscovick et al, salientaram que o exercício físico vigoroso aumentava o risco coronariano durante a sessão. Em consonância com Siscovick et, outro estudo salientou que com uma única sessão de exercício aeróbio vigoroso (30 minutos a 70% do Vo2max) aumentava o desenvolvimento de placas trombóticas em pessoas saudáveis e sedentárias, sendo que numa intensidade moderada (50% do Vo2mx) não provocou o mesmo efeito. (Siscovick DS, Weiss NS, Fletcher RH, Lasky T. The incidence of primary cardiac arrest during vigorous exercise. N Engl J Med 1984;311:874-7 ; Cadroy Y, Pillard F, Sakariassen KS, Thalamas C, Boneu B, Riviere D. Strenuous but not moderate exercise increases the thrombotic tendency in healthy sedentary male volunteers. J Appl Physiol 2002;93:829-33)

O exercício físico vigoroso, diminuí a ocorrência de episódios cardiovasculares, estando associado à mortalidade, salvo que quanto maior a intensidade, maior a diminuição de fatores de risco associados à doença.

Rauramaa et al., observaram, durante seis anos, a introdução da atividade em 140 homens de meia-idade na evolução da aterosclerose. Eles calcularam a evolução da espessura da camada íntima arterial da bifurcação carótida por ultrassonografia. Os mesmos foram orientados de modo, a exercitaram-se numa intensidade correspondente ao seu limiar ventilatório de 40 a 60% do VO2max (45 a 60 minutos por sessão em 5 vezes por semana). O grupo em estudo não fazia uso de estatina, apresentado assim menor espessura da íntima arterial em relação ao grupo controle (sem exercício). Deste modo, o exercício físico aeróbio de baixa a moderada intensidade representa um fator de proteção na evolução da lesão aterosclerótica. (Rauramaa R, Halonen P, Vaanen NB, Lakka TA, Arno Schmidt-Trucksa A, Berg A, et al. Effects of Aerobic Physical Exercise on Inflammation and Atherosclerosis in Men: The DNASCO Study. Ann Intern Med 2004;140:1007-14)

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