A Importância dos Princípios de Treino para obter resultados

Os princípios de treino são indicações sobre a forma de atuar no treino, não representando apenas diretivas concretas para aplicação prática, mas sim bases para uma orientação geral, guiando a ação do treinador e dos atletas para a concretização dos programas de treino estabelecidos.

Podem estar relacionados com as diferentes ações operativas como planificação, realização, controlo e avaliação do treino, e são válidos no treino em geral assim como nos seus múltiplos campos aplicativos. Assumem-se também como hipóteses operativas, resultantes das leis da ciência e das experiências práticas do treino.

Segundo Martin, Carl & Lehnertz (1993), os princípios de treino classificam-se:

  1. Pedagógicos;
  2. Construção e Organização do Treino;
  3. Aplicação dos Métodos e Conteúdos do Treino;
  1. Princípios Pedagógicos do Treino

No que diz respeito aos princípios pedagógicos do treino, o desenvolvimento global da personalidade é prioritário em relação ao da prestação desportiva. Tanto atletas como treinadores devem estar conscientes das razões que justificam as medidas adotadas no processo de treino, ou seja, o processo de treino deve procurar manter e salvaguardar a saúde do atleta; deve orientar-se pelas necessidades e interesses do mesmo; estar em sintonia com o desenvolvimento individual do atleta ou de quem se treina, respeitando as condições favoráveis que se encontram nos determinados estádios de desenvolvimento; deve orientar-se para um aumento crescente da autorresponsabilização do atleta.

  1. Princípios sobre a Construção e Organização do Treino

Relativamente à Construção e Organização do Treino, as decisões relacionadas com o desenvolvimento do processo de treino devem ter em atenção aspetos por vezes divergentes, como as exigências da prestação, as particularidades do desenvolvimento do atleta e as suas necessidades pessoais. Sendo que a prática do treino deve sempre procurar atingir a máxima eficácia possível tendo em conta os objetivos previamente estabelecidos.

O Processo de treino a longo prazo, deve subdividir-se em fases plurianuais de treino relativamente independentes, ou seja, ao longo do ano estruturar e aplicar diferentes metodologias de treino com objetivos preestabelecidos. Esses objetivos devem ser o guião do processo de treino, e ao mesmo tempo capazes de atrair os atletas, de forma a motiva-los.

Ao longo de cada uma das fases do desenvolvimento é importante existir uma relação equilibrada entre os objetivos de cada uma, entre as formas gerais e especificas do treino, ou seja, de modo que o desenvolvimento seja realizado de igual forma na capacidade de prestação geral como na específica. Para obter o máximo potencial genético do atleta em relação às exigências específicas de uma modalidade e atingir o máximo de rendimento desportivo possível, com base numa formação desportiva geral, será necessário uma especialização crescente dos conteúdos e métodos de treino. Nesse sentido cabe ao treinador aplicar progressões no processo de treino, atuar sempre baseado em leis e regras, focar-se mais aos pressupostos e comportamentos individuais e dirigir-se para a formação dos pontos fortes individuais.

Para obter um determinado objetivo num período de tempo previsto, é necessário, uma avaliação/comparação entre o nível de prestação efetivamente obtido e o planificado, existindo uma adaptação contínua das decisões tomadas no treino em relação aos dados estabelecidos a longo prazo, considerando a existência do controlo e regulação permanente do treino.

  1. Princípios da Aplicação dos Métodos e Conteúdos do Treino

Para existir progressão de forma continua a um nível de prestação desportiva, deve ter-se em mente que os pressupostos condicionais, coordenativos e psicológicos da prestação se condicionam reciprocamente e, como tal devem ser desenvolvidos em sintonia. As metodologias de treino escolhidas não atuam nunca isoladamente sobre cada componente da prestação, mas sim sobre o nível global da prestação.

Especificidade da Adaptação – com o aumento da experiência de treino e evolução do nível de prestação, as formas de treino escolhidas devem permitir obter adaptações que tenham sempre cada vez mais em conta as condições numa vertente desafiadora/competitiva.

Ativação do Atleta – Principalmente no treino da técnica deve-se procurar atingir um estado optimal de ativação do atleta, no sentido de ter mais consciência muscular e executar de forma correta.

Qualidade na Execução dos Movimentos – No que diz respeito ao treino de coordenação e da técnica deve manter-se sempre a máxima qualidade na execução dos movimentos, contribuindo para melhores resultados.

Carga de Treino – A melhoria contínua da prestação desportiva é garantida através de um incremento constante da carga de treino, é um elemento importante para a progressão.

Continuidade do Treino – Manter um determinado estado de prestação a um nível elevado, ou melhorá-lo, requer evitar interrupções longas do treino.

Ciclização do Treino – Na elaboração do plano de treino deve ter-se em conta, dentro dos ciclos de treinos que seguem uns aos outros, sejam implementados diversos objetivos e se realizem formas variadas de treino, com o intuito de atender à variação da solicitação.

Referências:

Cunha, P. (2016). Manual de curso de Treinadores de Desporto//grau I – Teoria e Metodologia do Treino – modalidade coletivas. Lisboa, Instituto Português do Desporto e Juventude. Retirado de: http://www.idesporto.pt/ficheiros/file/Manuais/GrauI/GrauI-07b_MetodologiaCol.pdf

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